Mentiras sinceras interessam, por Renata Lopes

La Bocca della Verità


"Sempre achei que ser honesta era o mais nobre dos comportamentos. Falar, na cara, e pronto. Sem papas, sem enrolação. Mas a maturidade vem me ensinando que não, nem tudo que é honesto e sincero merece ser dito. Tem hora pra tudo.
Exemplo: uma história que ouvi recentemente. Eles estavam se conhecendo, ficando juntos há um mês. Diferentes, se encontravam num espaço comum aos dois, um terceiro universo, que não era o dele, nem o dela. Então, numa noite, ele sai da casa dela dizendo que gosta dela, mas precisa ver outra mina, pra ter certeza de seus sentimentos.
Alguns podem achar a atitude exemplar, afinal, é melhor a verdade que dói do que a mentira que conforta. Mas, calma lá. Não eram namorados, não tinham um vínculo estabelecido, só estava muito bacana ficarem juntos e, pessoas românticas pensam no futuro. Enfim. Este é o tipo de sinceridade desnecessária. Ela preferia acreditar que ele estaria muito ocupado no fim de semana, ou teria ido viajar com a família, com amigos, ou qualquer outra coisa que não a fizesse sentir-se idiota e palhaça. Jamais saber que o cara foi ver outra mulher e a deixou ali, sabendo da verdade. Jogando fora possibilidades reais.
Nota zero, menininho."

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O mundo é feito de trocas.

A Renata pediu para postar meu texto anterior no seu blog - http://re-volts.blogspot.com/

Eu pedi para postar essa história que ela escreveu aqui, no meu blog.

No mundo real, o moço da história troca a moça pela outra. [ ou vice-versa, se trocar o ponto-de-vista ]

Ela trocou a completa honestidade pelas mentiras sinceras.

Esse ano, eu troquei as mentiras sinceras, as white lies, as pequenas ilusões de cada dia, as auto-enganações, as simulações de sentimentos (reais e/ou irreais) por algo que, para mim, antes não tinha o menor valor: a completa honestidade, falada na cara. [ foi só assim que pude começar a fazer terapia ]

Eu não sei se a moça da história trocaria a verdade por uma ilusão, ou esse moço por outro.

Mas eu troco a incerteza por uma certeza, any time.

Nossas histórias acontecem; aqui, lá; se repetem; se misturam; se refletem. A troca está no reflexo.

E só assim a gente aprende com elas.

As trocas fazem o mundo.


Sessentindo:

Cheia


Manifesto Infeliz

“Infelicidade é mais que um mero sentimento. É um direito humano.

Nós somos muito mais inclinados à infelicidade que ao seu contrário. Se somos livres para perseguir a felicidade, não nos leva mais que alguns minutos pensando e ponderando para a infelicidade se instalar. É um sentimento muito mais natural e familiar que a felicidade. Afinal, é compartilhado por muitos mais do que a escassa alegria vivenciada pelos chamados privilegiados.

A infelicidade é democrática: pode afetar qualquer um. Também é alcançada muito mais facilmente: até em uma terra de abundância, a falta de apenas uma coisa pode trazer infinita infelicidade.

Se abraçada, a infelicidade pode despertar uma gama muito mais ampla de sentimentos (depressão, auto-desprezo, raiva) que seu oposto, a felicidade, que simplesmente é.

A infelicidade não coloca pressão naquele que a sente, ao contrário da constante e mundial exigência à qual somos submetidos para sermos felizes. A infelicidade não nos persegue. Ela surge dentro de nós.

E não há nada que possa aplacá-la. Enquanto uma pequena, singela desilusão pode devastar a felicidade, algumas pessoas simplesmente nascem com uma capacidade extraordinária para a infelicidade, que nenhuma quantidade de coisas boas, momentos alegres e pessoas queridas pode destruir.

Apesar de tudo isso, a infelicidade sempre foi mal vista. De remédios pesados, a fofos e coloridos desenhos animados, esses inquisidores felizes tentam há eras suprimir a infelicidade e impor a felicidade, a todo custo. No passado, eles acreditavam que a infelicidade era causada pelo constante medo da morte, pragas ou fome, ou a falta de condições de vida de qualidade. Mas o tempo se encarregou de mostrar que nenhum aumento de salário, escolhas, liberdade, saúde, expectativa de vida ou conta bancária das pessoas pode diminuir a infelicidade nos seus corações.

Nós temos, desde o nascimento, o potencial – e o direito – de sermos infelizes. Um poeta poderia até mesmo expressar que “ser Humano é ter o poder de ser infeliz”.

A infelicidade não surge de fora, não é imposta, tampouco demandada, muito menos esperada. Ela nasce livre e genuinamente, sem cobrar nada.

É tempo de pararmos de depreciar a infelicidade, abraçando essa capacidade verdadeiramente humana, natural à sua mente, ao seu coração e à sua alma, e admitindo que nós somos, e possivelmente seremos, para sempre, infelizes.”



Nunca tinha escrito um manifesto. Gosto mais deles quanto têm temas que normalmente não fazem o menor sentido pra maioria das pessoas. Não perguntem da onde veio, só veio. E daqui, soou verdadeiro. Notem que o tom não é depressivo e pessimista, n'est-ce pas?


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Cínica


Audiovisuando: The Tudors, season 3


Interlúdio, interessante, interminado

"Unfold" ~Nicole Johnston

Ilustrando a sensação de que as férias serão tanto (ou mais) ocupadas que as aulas, uma ilustração da Nicole J.
O site dela voltou ao ar, após muitos anos. Acho que eu o achei pela primeira vez em 2003, por aí, e a primeira frase que li foi: "The reason I know spring has arrived is not the birds singing or the college girls doing Thai-Chi in spendex on public squares, but because I get this unexplainable desire to listen to the Spice Girls". E desde então eu quero ser ela quando eu crescer.

Muita coisa legal tem acontecido -- no âmbito profissional tão somente, pra compensar os outros --, mas eu tenho superstição sobre falar de coisas ainda não confirmadas, então tudo que eu digo é: esperem produtos audiovisuais inovadores! Mwahahaha

Estou há tanto tempo sem postar que os assuntos se acumularam e agora eu não sei por onde começar. Resolvi então, como um primeiro passo para voltar a postar com cofalgumacof assiduidade, desenterrar esse singelo blog de dentro do baú-de-projetos-deixados-pelo-caminho com um interlúdio.

E qual interlúdio pode ser menos egocêntrico do que divulgar um artista?

So there you go =)

Tudo indica que voltarei em breve com um post mais extenso, ainda que possivelmente mais egocêntrico...

E sobre a morte de MJ, só falo isso: todo mundo devia aprender a dançar Thriller e fazer uma flashmob gigantesca pelas ruas.


PS: Morrer é fantástico, não é mesmo? Você se torna muito mais amado! #MJ e #FarrahF



Sessentindo:

surpresa


Audiovisuando: Wedding Thriller -- That's what I'm talking about, people!

Yoho, a pirate's life

Seguindo a maré [haha, que belo trocadilho] da anti-anti-pirataria, resolvi postar algo potencialmente ilegal.

Aula de edição de rádio: misturei “Guerra dos Mundos” (versão para rádio, Orson Welles, 1939) com “The Day the Saucers Came” (shortstory do Neil Gaiman, [eu sei que eu sou repetitiva], acho que de 2006). Me senti tão pós-moderna...



Tá, não to inspirada. Acho que isso é tudo.
Prontopostei.

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Estranha



- O que foi aquela explosão ali no cantinho?


Close-up de um pedaço escuro do universo


- Ah, relaxa, não deve ter sido nada.


Assisti Watchmen ontem. Gostei bastante mesmo, apesar de nunca ter lido o quadrinho, e, portanto não saber julgar se foi uma boa adaptação ou não (tão dizendo as más línguas que não é, mas nós sempre somos cruéis com adaptações). Como filme, achei muito bom. Trilha sonora não-original mega original! Ele é bem diferente dos outros filmes de super-heróis que têm sido feitos.

Mas... eu tenho uma questão. o/

Sinceramente, eu não sei dizer se é um fenômeno contemporâneo, ou se sempre existiu, mas cada vez mais eu percebo uma desilusão generalizada da raça humana consigo mesma. Como? Tipo assim:

A: - Everyone is going to die!
B: - And the universe won’t even notice.
[ Trecho de Watchmen. Tirei os nomes dos personagens pra não dar spoilers! ]

O filme não termina com essa mensagem [ok, parei! Vão e assistam!], mas ainda fica no ar uma amargura: nós causamos mais mal do que bem.

Talvez seja porque, finalmente, estamos tomando consciência do nosso impacto no planeta. Talvez seja porque nós, finalmente, estamos vendo (vendo mesmo, não é mais só lendo ou ouvindo a respeito) os crimes, as catástrofes, os desmatamentos, as inadimplências, etc., etc., que cometemos todos os dias. Agora não é mais uma idéia abstrata de que alguém, por aí, estupra crianças. Agora é imagem de criança grávida na TV.

Note, eu não estou querendo dizer que o mundo está mais violento, como já ouvi dizerem. Eu nem acho que esteja, se formos comparar com épocas em que esposas eram cortadas em pedacinhos em praças públicas se traíssem seus maridos (qualquer semelhança com o Oriente Médio atual não é mera coincidência), ou em que multidões iam assistir a enforcamentos de hereges como se vai ao cinema agora.

Mas, se nós ficamos menos tolerantes à violência, a natureza humana (também tema no filme) continua a mesma. A gente ainda mata, rouba, estupra, machuca. E, como se não bastasse a constante lembrança disso, hoje sabemos também que estamos destruindo a Natureza.

Então, voltando àquela questão de que eu tinha falado: o mundo estaria melhor sem nós?

Se cresce (ou pelo menos, eu acho que cresce) a importância dada a uma vida humana, parece que a existência da Humanidade já não é mais tão sagrada assim. O nosso umbigo diminuiu.

Afinal, um cantinho bem escuro do universo contém galáxias. E mesmo se não existir vida em mais nenhum outro lugar desse universo, quem vai sentir a nossa falta? Os oceanos vão agradecer. Os nossos deuses morrem conosco. E a Terra não vai parar de rodar e girar.

Nosso bem são nossas culturas, nossos livros, nossa filosofia, nossa ciência, nossas constantes transformação e evolução? E quem herdaria isso se sumíssemos?

Na verdade, a questão não é medir o valor da humanidade em si. Todo mundo sabe que isso é medido pela relação das pessoas. O que umas fazem pelas outras, o que deixam para trás, etc. A questão é que na balança alegórica, não estão mais “o bem da humanidade” vs. “o mal da humanidade”, e sim “humanidade” vs. “mundo”. E, pelo que me parece, ela está tendendo para o último.

Antes que me chamem de fascista, niilista, pessimista ou qualquer outro adjetivo derivado, eu não acho a humanidade ruim. Como diria o sábio Linus van Pelt, “eu amo a humanidade, são as pessoas que eu não suporto” (Peanuts) hahaha.

Só estou expressando uma sensação. Alguém aí também está sentindo isso?

Alguém?
Oi?
Opaexplodiu.


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Pensativa

Sobre Memórias

Fui brincar de anagramas e fiz um poema. Ou fui fazer um poema e brinquei de anagramas. Ou fui brincar de poema e fiz anagramas. Ou fui fazer anagramas e brinquei de poema.

õ.Ò

Aaanyway.


Sobre memórias

Amores Sem Brio
Embora Sem Riso
Me Berra Omisso
Sombrio Semear.

Se Berra Mimoso
Rei Em Assombro,
Embora Remisso
Sobra-Me Em Riso.

Me Rio Sem Sabor
Aí Berro Sem Som
Abrir-Me Em Osso
Sem Sobrar. Meio
Ser, Meio Sombra.

Se Me Abrir O Som
Imerso Em Sabor
Semear Bom Riso
Mesmo Sobre Ira.

Abismo Sem Erro
Se O Mesmo Abrir
Eis Som Bem Raro
Esse Rombo Rima.




Não faz muito sentido, mas tem em vídeo! (O que não é uma conjuntura incomum...)



[ Sim, eu tenho uma vida, isso é um exercício pra aula de Edição =) ]


PS: Descobri o que isso é!
Amphigory am'fi-ge-ree, n. (French amphigouri, of unknown origin)
1. A nonsense verse. Specifically, a poem designed to look and sound good, but which has no meaning upon closer reading.





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Nerd

Are the things I’m waiting for, waiting for me, too?




Eu não tenho paixões, pensou a menina. E, logo em seguida, pensou também, Queria ter descoberto isso antes. Antes, pensava que gostar de coisas e ter paixões eram o mesmo. Gostava de castanhas, da luz no fim da tarde, de fotografar as próprias mãos, de ouvir histórias. Mas foi apenas quando teve que decidir o que queria fazer da sua vida que a menina percebeu que essas não eram paixões, eram apenas coisas que apreciava. Não agarraria nenhuma delas com unhas e dentes se de repente lhe fossem tiradas. Viveria sem elas. Queria ter descoberto isso quando era mais nova e mais criativa, assim poderia ter pelo menos inventado alguma paixão. Diria “Eu quero fotografar as minhas mãos para o resto da vida”, e isso bastaria. Mas agora isso soa falso. Agora, fazia as coisas por –

Virou a cabeça que olhava pela janela e percebeu que sua oponente a esperava impacientemente. Olhou o tabuleiro; sem entusiasmo moveu uma peça: um movimento para poder continuar seus pensamentos, ao invés de um pensamento sobre um movimento.

– obrigação. Fazia porque é preciso fazer coisas. É preciso fazer.

Ouviu um som educado. Sua oponente a olhava. Era a vez da menina de novo. A outra jogava cada vez mais rápido. A menina olhou para o jogo e, distraída, demorou algum tempo para perceber o que acontecia. Era preciso salvar seu bispo. Perguntou-se, sem grande curiosidade, há quanto tempo sua oponente devia jogar aquele jogo. Provavelmente há muito. Ou muito, muito mais do que eu.

Tirou seu bispo da posição de perigo e logo se voltou para a janela e para suas reflexões. Queria saber a origem das paixões. Dos interesses. De toda essa vontade de viver que, para a menina, era um fantasma. Sabia que deveria estar nela, em algum lugar, porque era o que todos falavam. Era tão natural para os todos. Os todos não apenas sentiam a vontade, mas também pareciam achar necessário exibi-la como um diamante. Mas quando a menina procurava, via apenas um vulto da empolgação de viver. Como a mancha desbotada de um papel de parede onde se sabe que havia um quadro.

“Você não vai jogar?” perguntou a oponente. Ela parecia impaciente. A menina não sabia dizer se era por causa da sua demora para jogar ou por que o jogo não oferecia muito desafio.

Deu um sorriso sem-graça, como se pedisse desculpas. “Na verdade, eu já não estou mais com vontade de jogar.”

A oponente sorriu um sorriso ambíguo, meio condescendente, meio irônico. “Não faz mais muita diferença...” moveu seu peão vagarosamente pelo tabuleiro, “Cheque-mate”, disse a Vida.


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La-ra-ra-di-da... Enquanto postagem ficcional, a nível de tentativa de reviver um blog semi-abandonado, essa é um tanto piegas. Mas, oh well, é sempre válido postar alguma coisa, não?

Anyhow, I'm back. Talvez eu volte em breve pra falar algo sobre o filme "Coraline" [E sobre como a indústria cinematográfica não tem culhões de fazer filmes infantis que responsabilizem os pais ao invés das crianças], se o tempo existir.


Beijos, e tenham paixões.
Auf Wiedersehen



Sessentindo


Ocupada




Audiovisuando: Carnivàle

Não.posso.pensar, se.eu.penso.eu.choro

"I'm going blind", she thought

[Antes de mais nada, meus cumprimentos a quem mantém um blog assiduamente. Não é nada fácil.]


É comum atores dizerem que cada apresentação de uma peça de teatro é única, porque, dentre outras razões, as reações do público variam muito de espetáculo para espetáculo.

Bom, Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Danny Glover & Companhia ficariam, no mínimo, um pouco assustados com a sessão de Ensaio Sobre a Cegueira que eu presenciei hoje.

Pela quarta vez, fui assistir o filme, hoje, no Dia do Cinema Nacional. Sabe o cinema nacional? Que em sua maioria – ou pelo menos para a maioria das pessoas – é comédia ou comédia-romântica? Então. Talvez seja porque Ensaio é apenas 1/3 brasileiro, que ele não se encaixe exatamente nessas duas categorias. Mas isso é discutível, não é mesmo?

Cinema a R$ 2,00 lota as salas (fica a dica!). Entramos (estudantes de audiovisual) quando o filme já estava começando, sinal vermelho, sinal verde, sinal vermelho, sinal verde. Algumas outras pessoas também chegaram um pouco atrasadas e fizeram mais barulho do que o necessário para achar seus lugares, mas isso é praxe. As coisas começaram a realmente ficar estranhas quando O Primeiro Homem Cego fica cego e é, por alguns segundos, abandonado na rua pelo Ladrão. A imagem fica borrada, não sabemos para onde esse personagem que acabamos de conhecer está se dirigindo e o som dos carros passando parece vir de todo lugar. E... as pessoas estavam rindo.

Ok, empatia é um sentimento que surge em tempos diferentes para cada pessoa, provavelmente um homem cego nos primeiro segundos de um filme com esse título não causa o mesmo impacto em todo mundo. Mas seria razoável assumir que uma criança, uma mulher perdida e misteriosa, um médico apaixonado por sua esposa que ficam cegos sem nenhuma explicação transmitissem algo que não é exatamente... humor?

Eu estava ansiosa – além de claramente um pouco desconfortável – para ver se à medida que esses personagens descessem no redemoinho que é a história, os risos se tornariam cada vez mais nervosos, inquietos, e finalmente cessariam.

Na primeira vez que vi o filme (diga-se de passagem, nesse mesmo cinema do shopping SP Market, com a sala bem mais vazia), não prestei muita atenção na reação das outras pessoas porque estava muito absorta na história. Na segunda vez, vi sozinha, e fiquei mais atenta. Alguns choravam, enquanto outros se remexiam desconfortáveis nas cadeiras, e outros ainda se levantavam e saíam nas cenas de estupro. Normal, até mesmo em Cannes o filme incomodou.

Mas para os espectadores de Jurubatuba, o copo alegórico está sempre meio cheio! Estupro? Acontece nos melhores países, gente! Não ta vendo? Eles falam inglês e tão estuprando! Assassinato? Mas ela era mesmo um peixe-morto! Hahahahah

Até os “momentos de descontração” no filme, que foram inseridos para aliviar a crescente tensão, passaram praticamente despercebidos em meio à contínua risada da platéia.

Sinceramente, eu não sei ao certo se essas pessoas são completamente incapazes de criar vínculos e empatizar com o sofrimento dos personagens ou se elas simplesmente se forçam a levar tudo numa boa, a não enxergar, porque, afinal, não é com elas que aquilo está acontecendo, é com estranhos que nem sequer existem, é tudo mentirinha e não nos afeta, nem um pouquinho.

Seja qual for a situação, Aristóteles teria dado uma bronca nessas pessoas que não dão nenhuma importância à catarse. Saramago teria se levantado e ido embora. Freud teria entregado seu cartão às meninas que riram nas cenas de estupro.

Quanto a mim, eu chorei, como em todas as outras vezes. Mas dessa vez, não pelas mulheres sem nome que eram abusadas na tela e representavam uma História de sacrifícios, mas pelas pessoas naquela sala, tão próximas de mim, e mais distante, impossível.


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Nervosa/com medo

A fé solúvel

"Lady Hamilton as Medea" ~George Romney


[Um colchete antes de começar: BRIGADA pelos comentários, gente (AKA Anaono e Dexter)! Talvez daqui a pouco eu até consiga que o erro de concordância nos comentários acabe! Uhu!]


Essa semana eu perdi a fé em algumas coisas:

- Na liberdade de expressão na internet.
- Na palavra das pessoas. [Não nas pessoas em si, mas no que elas dizem. Não quer dizer muito, sabe?]
- Na diferença de preço da 25 de Março.
- Na habilidade da cafeína de me manter acordada.
- Na dieta de comer de 3 em 3 horas.
- No fax.
- Em andar pelas calçadas [inexistentes] de São Paulo.
- Na originalidade das idéias geniais.
- Nas eleições.

Se alguém achar a fé nessas coisas, estou interessada. Comente aí embaixo que eu até vou buscar.


Enquanto isso, um tópico não-egocêntrico. Porque há vida sem a gente.

Cada vez mais eu me surpreendo em quanto um(a) diretor(a) de arte tem que saber. Hoje eu comecei meu curso de figurino e o que eu achava que seria uma série de instruções e dicas pra se desenhar figurinos, na verdade é uma aula de História do Teatro, Cinema e TV seguida de exercício baseado em uma obra. Sem contar os parênteses que a professora faz sobre História, História da Arte, cultura popular, arquitetura, design, etc... etc...

É fantástico! Só que to começando a achar que pra ser diretora de arte, vou ter que fazer faculdade de Audiovisual + Arquitetura, Design, Moda, História da Arte, História + pós em Belas Artes e um curso de Maquiagem profissional. Talvez engenharia química também, só pra conhecer as reações das tintas e cosméticos. Dá um desespero básico.

Aí eu abro a Wikipedia e estudo um pouco de História da Arte e já me sinto mais culta e o desespero diminui. Ah, a ingenuidade adolescente. Não quero sair daqui nunquinha...

Indo desenhar um figurino pra Medéia, aquela moça fofíssima. Se ficar bom eu posto aqui depois. Óh.

Beijos ao que chegam até aqui!

Sessentindo:


Sozinha



Audiovisuando: "Medea" ~Pasolini

[ETA: esse post poderia ter a tag de 'revolta', mas se essa tag ganhar de todas as outras, ninguém vai querer ler esse negócio, to certa?]

Paid TV killed the kids shows stars


Fazendo pesquisa pra um trabalho sobre programas de tv da minha infância (nos anos 90), é claro que o canal que vem à mente é a TV Cultura, no auge de sua "belle époque", quando nossas tardes sem tv por assinatura eram preenchidas por Rá-tim-bum (e mais tarde Castelo Rá-tim-bum), Glub Glub, X-Tudo, Mundo de Beakman, Cocóricó, programas que causavam até inveja nos adultos. Meu pai, por exemplo, lembra muito bem até hoje de episódios e piadas e talvez sinta tanta falta quanto eu dessa qualidade que não se vê mais em programas infantis.

E aqui não é só a Nostalgia que vos fala não. Eu posso não ser mais criança, mas basta comparar um programa do Discovery Kids com um trecho de X-Tudo no YouTube pra sentir a diferença. Qual é a dessas séries novas em tratarem criança como pequenos retardadinhos? O vocabulário que eles usam beira uma conversa entre um russo e um índio tupi. Tantos gestos, tanta repetição, como vai o léxico de vocês, roteiristas? As crianças que assitem o DK podem até não usar palavras com mais de 5 sílabas, mas tudo tem que começar em algum lugar, não? Eu me lembro perfeitamente de várias vezes ter ido perguntar pros meus pais o significado de alguma palavra que eu tinha ouvido no Rá-tim-bum. Tudo bem que aqui eu até pego pesado, afinal o Rá-tim-bum foi criado pelo Meirelles e pelo Marcelo Tas, mas taí mais um divisor de águas da tv infantil de lá pra cá. Parece até que tá havendo um preconceito com programas infantis.

Virando um pouco a moeda, não é tudo lixo. Eu faço questão que a minha irmã de oito anos assista pelo menos alguns programas bons e se alguém já assistiu Charlie e Lola sabe que é uma das coisas mais fofas que já foram feitas.

E aí, tem o lixo. Alguém pode me explicar o que Rebeldes [um seriado assim, sutil, apropriado, leve e educativo] está fazendo no freaking Boomerang??? Cadê a censura quando ela tem um trabalho útil a fazer...

Pra você também falar "Ah, no meu tempo...", um pout-pourri:



Sessentindo:
Nostálgica







Audiovisuando: Weeds Season 4 Finale - "If you work for a living, why do you kill yourself working?" ATENÇÃO: SPOILERS!!!