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Big Bang e mansões em ruínas

 Copyright Mario Jodra
"[...] at length found myself,
as the shades of the evening drew on, within view of the
melancholy House of Usher. I know not how it was--but, with the
first glimpse of the building, a sense of insufferable gloom
pervaded my spirit." - The Fall of the House of Usher by Edgar Allan Poe

Acredito que o Universo começou com o Big Bang porque eu só consigo criar coisas novas depois que as anteriores explodem. Vai ver The Powers That Be tiveram uma decepção (amorosa, de amizade, no trabalho) e decidiram explodir a merda toda e começar de novo. Super entendo.

Tem momentos da minha vida em que eu percebo que minha rotina é uma mansão em ruínas. Assim, bem à la Edgar Allan Poe. Nos halls e quartos ainda dá pra ver a beleza do passado. Quão cheia de vida a casa já foi e quanta alegria trouxe pra quem morava ali. Mas o papel de parede está descascado, os móveis empoeirados e só alguns fantasmas sobraram. E eu. Numa mistura de nostalgia e medo do desconhecido, eu ainda fico um tempo vagando na ruína.

Até que ela explode. Daí tudo bem. Porque eu sou boa de criar relações, mas ainda melhor de terminá-las. Sem olhar pra trás mesmo, defunto enterrado. Vou no enterro, choro, sofro. Mas enterrou, acabou.

Tem todo um universo novo me esperando.

Menos que Jamais

2008 | 2018

Juliana Cunha me fez ressuscitar esse blog. Juliana Cunha não me conhece nem nunca me viu mais gorda, mas às vezes eu chego cedo pra terapia e na sala de espera tem um livrinho que eu ia lendo aos poucos, algumas páginas antes de cada sessão. “Já Matai Por Menos” é uma coletânea de textos do blog da Juliana (essa semana finalmente comprei o livro, então sinto que já tenho intimidade suficiente pra chamá-la de Juliana. Quando acabá-lo vou chamá-la de Ju, com certeza). Mas voltando ao assunto, achei levemente surreal um livro de textos de blog. Sim, podem ser consideradas crônicas, mas algumas são claramente posts, quase tuítes. Então eu, que sempre tive um desejo não-muito secreto de um dia publicar um livro pensei “ah, what the hell, por que não?”, e cá estou de volta. 

Imagino que os textos que eu publicava aqui hoje em dia poderiam ser posts no Facebook, mas pra mim, enquanto um blog se assemelha a um diário, postar textões no Face me parece mais gritar a sua opinião na escola, no trabalho ou na fila do supermercado. Então serei old school e vou continuar por aqui mesmo.

Vou ser sincera: primeiro vim revisitar o JOM como quem fuça o perfil do ex — em parte é nostalgia e curiosidade, mas a maior parte é receio de que vocês nunca foram tão bons assim e ele está bem melhor sem você. Mas sabe que não? Quase não tive vergonha ao reler meus antigos textos (mesmo eles tendo quase 10 anos, sido escritos em outra vida, por outra eu) e me deu um calorzinho no coração ao (re)descobrir que algumas pessoas — completos estranhos! — tinham deixado comentários. Comentários positivos! Aqueles seres semi em extinção na internet... 

Então voltei. Não sei bem o que se pode esperar disso aqui. Crônicas? Prosa? Curiosidades? Opiniões que não interessam a ninguém? A verdade é que eu não sei nem o que ele era, então é difícil dizer o que vai ser daqui pra frente. 

Só sei que voltei em menos do que “jamais”.

O anel da rainha

Foto da rainhazinha por Penny Jack, a Nebulosa do Anel adicionada por mim


Em um certo contraponto ao Manifesto Infeliz...


‘Era uma vez um reino feliz e próspero, onde a rainha tinha súditos muito fieis. Um deles, porém, estava começando a se tornar orgulhoso. “Eu sou o súdito mais fiel de todos”, ele dizia. A rainha, para diminuir a arrogância do rapaz, decidiu mandá-lo em uma busca impossível.

“Meu súdito, eu quero que você me traga um anel mágico. Um anel que torne as pessoas tristes felizes, e as pessoas felizes, tristes.”

O jovem não pensou duas vezes e partiu para cumprir a missão de sua rainha.

Durante muito tempo ele andou, de cidade em cidade, perguntando para todos os sábios se eles conheciam o tal anel. Alguns simplesmente negavam; outros riam do jovem, achando aquilo impossível.

Esgotadas suas esperanças, o jovem súdito fez seu caminho de volta ao reino, muito triste por ter falhado com sua rainha. Chegando na cidade, cansado e sem muita coragem de ir até o palácio e dizer à rainha que não havia encontrado o anel, ele sentou-se em frente a uma pequena oficina. O ferreiro, dono do lugar, vendo o rapaz tão triste, perguntou o que lhe tinha acontecido. Ao ouvir seu relato, o ferreiro disse: “Venha comigo. Eu vou fazer esse anel para você”.

A princípio, o rapaz não acreditou que aquele velho ferreiro realmente fosse capaz de atender ao pedido da rainha, mas ao ler a inscrição dentro do anel recém-forjado, suas tristezas se dissolveram em um grande sorriso.

Feliz, ele foi até o palácio, onde estava acontecendo uma grande festa. A rainha, animada com o evento, achou engraçado quando anunciaram a presença de um jovem súdito que lhe trazia um presente.

“Eu consegui, Majestade, eu encontrei!”, ele anunciou e entregou o anel à rainha.

No momento em que leu a inscrição, ela lembrou-se da missão que havia dado ao rapaz já há tanto tempo, e seu sorriso evanesceu. Sábia, ela suspirou e concordou; ele havia conseguido.

Dentro do anel, podem-se ler as palavras: “Isso também passará”.’

____________________
* História do folclore judaico. A versão da Wikipedia involve o Rei Salomão. Provavelmente, essa é uma história que faz parte das intersecções de histórias de todas as culturas. Mas essa foi a versão que eu ouvia quando era criança, por isso contei assim.

Conforme eu fui crescendo (não necessariamente intelectualmente, digo cronologicamente mesmo), comecei a gostar mais de histórias em que, no final, você suspira e dá um pequeno sorriso, mais que daquelas em que você sai chorando até seus olhos derreterem ou rindo até compensar a ausência de abdominais na sua vida.

Eu sempre gostei da sutileza dessa história. É uma das minhas preferidas, junto com a história sobre a história...

Mas essa fica pra uma outra ocasião...


Sessentindo:


Esperançosa (principalmente após 1 semana de gripe)




Audiovisuando: "Merlin" (1998) - tecnicamente tosquinho, mas ótimo!

Paid TV killed the kids shows stars


Fazendo pesquisa pra um trabalho sobre programas de tv da minha infância (nos anos 90), é claro que o canal que vem à mente é a TV Cultura, no auge de sua "belle époque", quando nossas tardes sem tv por assinatura eram preenchidas por Rá-tim-bum (e mais tarde Castelo Rá-tim-bum), Glub Glub, X-Tudo, Mundo de Beakman, Cocóricó, programas que causavam até inveja nos adultos. Meu pai, por exemplo, lembra muito bem até hoje de episódios e piadas e talvez sinta tanta falta quanto eu dessa qualidade que não se vê mais em programas infantis.

E aqui não é só a Nostalgia que vos fala não. Eu posso não ser mais criança, mas basta comparar um programa do Discovery Kids com um trecho de X-Tudo no YouTube pra sentir a diferença. Qual é a dessas séries novas em tratarem criança como pequenos retardadinhos? O vocabulário que eles usam beira uma conversa entre um russo e um índio tupi. Tantos gestos, tanta repetição, como vai o léxico de vocês, roteiristas? As crianças que assitem o DK podem até não usar palavras com mais de 5 sílabas, mas tudo tem que começar em algum lugar, não? Eu me lembro perfeitamente de várias vezes ter ido perguntar pros meus pais o significado de alguma palavra que eu tinha ouvido no Rá-tim-bum. Tudo bem que aqui eu até pego pesado, afinal o Rá-tim-bum foi criado pelo Meirelles e pelo Marcelo Tas, mas taí mais um divisor de águas da tv infantil de lá pra cá. Parece até que tá havendo um preconceito com programas infantis.

Virando um pouco a moeda, não é tudo lixo. Eu faço questão que a minha irmã de oito anos assista pelo menos alguns programas bons e se alguém já assistiu Charlie e Lola sabe que é uma das coisas mais fofas que já foram feitas.

E aí, tem o lixo. Alguém pode me explicar o que Rebeldes [um seriado assim, sutil, apropriado, leve e educativo] está fazendo no freaking Boomerang??? Cadê a censura quando ela tem um trabalho útil a fazer...

Pra você também falar "Ah, no meu tempo...", um pout-pourri:



Sessentindo:
Nostálgica







Audiovisuando: Weeds Season 4 Finale - "If you work for a living, why do you kill yourself working?" ATENÇÃO: SPOILERS!!!